O último trem que ainda a espera · Capítulo 1
O último trem ainda à sua espera — conto completo
Tradução por IA do original em tailandês ไทย
História original e ilustrações criadas com IA para STORY.RED. Personagens e acontecimentos são fictícios.
Eva não voltava para casa havia sete anos. Quando o pai morreu, ela mandou dinheiro para ajudar com o funeral e continuou em Seul. Disse à mãe que as passagens eram caras, o que era só metade da verdade. A outra metade era que ainda se lembrava do dia em que o pai deixou sua mala do lado de fora da porta.
“Se quer tanto ir, então vá.” Foi o que ele disse naquele dia. Ela foi embora sem olhar para trás.
Aos vinte e nove anos, Eva encontrou uma velha caixa de doces numa encomenda enviada pela mãe. Dentro havia uma passagem de trem para uma pequena estação nos arredores de Seul e uma fita cassete. A data era a de sua chegada à Coreia pela primeira vez; no verso, a letra do pai escrevera seu nome.
Ela ligou para a mãe, mas não teve coragem de terminar a pergunta. A mãe apenas disse: “Escute a fita primeiro, minha filha.” Eva não tinha aparelho para tocá-la. Mesmo assim, naquela noite a pequena fita pesou em sua palma.

A estação indicada na passagem fecharia dali a cinco dias. Eva partiu com a caixa de doces e a ideia de voltar imediatamente se a resposta doesse ainda mais.
Do-yun, de trinta e dois anos, organizava a sala onde eram guardadas as gravações dos anúncios da estação. Ele tirou um aparelho antigo da prateleira.
“Não é bom testar uma fita velha num aparelho cuja correia está prendendo. Ela pode ser mastigada.”
Enquanto esperava que ele limpasse o cabeçote, Eva acabou contando a história da passagem, embora não pretendesse fazê-lo.
Quando a gravação começou, não era um anúncio. Era a voz do pai, pronunciando com dificuldade uma frase em coreano; depois, ele riu e disse em tailandês: “Filha, leia a placa para o papai. Eu vim te encontrar.”
Eva apertou o botão de parar. Suas mãos tremiam tanto que Do-yun precisou segurar o aparelho.

O pai chegara à Coreia dois dias depois dela. Queria pedir desculpas, mas não conseguiu falar com ela porque Eva havia trocado de chip. O endereço do alojamento também era o antigo endereço da agência de empregos.
Eva e Do-yun encontraram um recado na pasta de objetos não reclamados. O nome do pai tinha uma letra errada, por isso a carta nunca chegou até ela. Dentro havia apenas algumas frases:
“Eu tinha medo de que você passasse dificuldades longe de casa e acabei falando como se não quisesse que tivesse uma vida própria. Eu estava errado.”
Não havia ordem para voltar nem condição alguma.
Eva ficou na plataforma onde o pai esperara por ela. Sentia raiva pelos sete anos que não podia recuperar e também de si mesma, por ter pensado que ele nunca fora atrás dela.
“Não vou pedir que deixe de ficar triste”, disse Do-yun. “Mas você não precisa entender tudo até o fim hoje.”

Eva se sentou no mesmo banco e ligou para a mãe. Dessa vez, não perguntou sobre os documentos.
“Mãe, me desculpe por não ter voltado.”
Houve silêncio do outro lado da linha. Então a mãe perguntou se Eva já tinha comido. Uma pergunta tão simples a fez chorar mais do que a fita.
Ela não pediu à mãe que dissesse que estava tudo bem, e a mãe tampouco disse isso. Conversaram sobre os dias em que se machucaram e aqueles em que poderiam ter se falado, mas escolheram o silêncio. Depois, marcaram a data da viagem de volta.
Do-yun esperava a certa distância quando Eva desligou. Ele lhe ofereceu uma xícara de chá quente e perguntou se ela queria ficar sozinha.
“Não”, respondeu ela. “Você pode ficar comigo mais um pouco?”
Ele permaneceu ao lado dela até o último trem passar, sem tentar preencher o silêncio.

A estação fechou como previsto. Ninguém mudou os planos ferroviários por causa da história dela. Ainda assim, Do-yun pediu uma sala pequena na biblioteca municipal para guardar a memória da estação. Eva ajudou a traduzir os relatos gravados e a criar legendas.
Eles pediram autorização a todas as pessoas cujas vozes apareciam nas gravações. A fita do pai foi identificada como mensagem particular. Eva guardou o original e escolheu divulgar apenas a risada dele, com a autorização da mãe.
Na noite de abertura da sala de escuta, Eva viu pessoas idosas ouvindo nomes de estações conhecidas e apertando com mais força as mãos de quem estava ao lado.
Do-yun perguntou se ela voltaria para ajudar na próxima vez. Eva disse que voltaria tanto pelo trabalho quanto porque queria vê-lo.
“Espero que seja pelo segundo motivo”, respondeu ele. Seu rosto ficou vermelho, e ela riu pela primeira vez naquela semana.

Dois meses depois, Eva voltou de uma visita à mãe com uma nova foto da família, que deixava espaço para uma fotografia do pai. A tristeza não tinha desaparecido, mas ela já não acreditava que fosse capaz de interromper a vida.
Do-yun a esperava na estação nova com duas passagens. Convidou-a para passar o dia de folga numa cidade litorânea. Ela aceitou e tomou a iniciativa de segurar a mão dele.
No trem, Eva pôs a caixa de doces no colo, olhou a passagem antiga e fechou a tampa devagar.
“Desta vez, você avisou sua mãe?”, ele perguntou.
“Avisei. Ela pediu para você tirar uma foto minha sorrindo para eu levar de volta.”
Ele ergueu o celular. Eva riu da seriedade dele. A primeira foto saiu tremida; na segunda, a luz da manhã caiu bem sobre sua bochecha.
Eva enviou a foto à mãe na mesma hora e apoiou a cabeça no ombro de quem viajava com ela. Aquele trem não a levava de volta para corrigir o passado. Estava levando-a adiante.

Fim.
